Muitas razões para usarmos o jab
Se nos dermos ao trabalho de comparar o estilo do típico
"brigão de rua" com o de um boxeador moderno, perceberemos que o "brigão de rua"
usa socos curvos, tipo cruzados muito abertos, enquanto que a grande maioria
dos socos do boxeador são retos ( jabs e diretos ), e então muito
mais contudentes, rápidos e eficientes.
Com efeito, a evolução da "briga de rua" para o boxe científico iniciou
exatamente com a invenção de um estilo de luta dando preferência aos golpes
retos em vez de aos golpes curvos. Essa passagem ocorreu relativamente
recentemente, com James Figg, lá por cerca de 1720, ao adaptar os golpes
retos da esgrima com florete para a luta com os punhos, criando assim o jab.
Partindo dessas observações, resolvemos aqui apontar, comentar e
resumir os muitos méritos do mais importante dos socos retos: o jab.
1. O jab é um golpe simples e efetivo.
Até mesmo um principiante é capaz de aplicar facilmente jabs que se
traduzem em pontos. Para um boxeador mais experimentado, que já domina sua
aplicação simultânea com um passo à frente e um giro de cintura, o jab pode
ser tão contundente quanto um direto. Nosso grande Adilson "Maguila" Rodrigues
era um crack nisso.
2. O jab é um golpe que usa pouca energia.
3. O jab compromete pouco nosso movimento.
Mesmo imediatamente ap0s aplicarmos um jab já estamos em condições de nos movimentarmos
lateralmente, o que não ocorre com os demais socos.
4. O jab é seguro.
Sua aplicação pouco compromete nossa guarda. Nisso está entendido que, após a
aplicação do jab, recolhemos imediatamente o braço sem deixá-lo cair.
Essa caída é bastante comum e era um grave defeito de Joe Louis; defeito esse
que foi bem explorado por Max Schmeling quando o venceu, impondo-lhe a única
derrota que teve em treze anos de profissionalismo.
5. O jab abre caminho para sequências.
Podemos explorar a segurança do jab para tentar abrir caminho para um soco
mais forte. Isso pode ser feito através de sequências tipo jab na testa e cruzado
de direita no queixo que foi assim levantado (Thomas Hearst foi um mestre
nisso).
6. O jab é um ótimo ingrediente para combinações.
Se usarmos combinações que iniciam e terminam com jab estaremos atacando com
pouca chance de sofrermos contra-golpe e ao mesmo tempo impedindo o contra-ataque
do adversário. Um bom exemplo sendo: jab ao estômago, para que o adversário
baixe a guarda, cruzado de direita ao queixo, gancho de esquerda no fígado,
gancho na cabeca e jab para finalizar.
7. O jab permite pressionar o adversário.
Todo adversário sente-se extremamente incomodado com a aplicação de jabs
colocados precisa e fortemente. Além de estarmos marcando pontos, estaremos
prejudicando a concentração do adversário.
8. O jab permite quebrar o ritmo do adversário.
Isso faz com que o adverswrio não consiga se posicionar adequadamente
e nem que inicie os movimentos de ataque que treinou.
9. O jab permite irritar o adversário, fazendo-o atacar de qualquer jeito.
Isso, obviamente, faz com que possamos facilmente contra-atacar.
10. O jab permite-nos "estudar" o adversário.
Podemos, assim, testar sua defesa, seu tempo de reação, etc. Por exemplo,
se descobrirmos que ele não move a cabeca, então temos boa chance de colocar
um forte cruzado; se vermos que ele baixa a cabeça, isso significa que ele
pode ser vulnerável a um upper.
REFERÊNCIAS
Para a confecção dessa nota, aproveitamos observações e conselhos de vários
treinadores e escritores. Em especial, agradecemos a Bob Rastus e a Ned Beaumont.
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