Erros comuns dos segundos.



Terminologia:
Seguindo a tradição, por segundo entenderemos qualquer um dos auxiliares do lutador (treinador, técnico, assistente do treinador/técnico, cutman, etc) e que sobem ao ringue nos intervalos da luta. O número dos segundos é assim fixado:

   --no boxe olímpico: até dois segundos
   --no boxe profissional: até três segundos, podendo um quarto ficar no solo, junto ao ringue.

O objetivo desta matéria é apontar os principais erros que esses segundos cometem durante as lutas, principalmente durante os intervalos de rounds.

Falar demais

Muitos segundos, em cada intervalo da luta dão uma infinidade de conselhos ao seu pupilo. Tudo o que não haviam falado em, talvez, anos de treinamento é agora despejado no minuto do intervalo. Isso só ocasiona confusão e nervosismo no lutador. Onde tudo é importante, nada fica importante.

O bom segundo deve se limitar a um ou dois conselhos; por exemplo:

  • um lembrete de algo que foi muito insistido nos treinamentos, e que o lutador não está fazendo;
  • uma rápida instrução de como anular alguma tática inesperada do adversário e que está surtindo resultado
O bom segundo também sabe que a primeira terça parte do intervalo deve se usada para deixar o boxeador retomar o fôlego, a seguir lhe dá água e somente nos últimos 30 a 20 segundos é que lhe dá as instruções de intervalo: de maneira clara, objetiva e enfática.

Falar de menos

Aqui temos duas possibilidades principais. Uma é o do segundo que nada fala, como que se a luta vai às mil maravilhas para seu pupilo. Outra, muito comum, é a do segundo que sempre acha que seus lutadores são os melhores, que nunca perdem: são roubados. Ele, em lugar de orientar seus pupilos nos intervalos, se limita a manifestar sua revolta contra os jurados.

Esses segundos nada fazem de produtivo, só descontrolam e desorientam seus pupilos.

Já ganhou!

Todos já viram um boxeador que estava ganhando apertadamente uma luta e que, no último round, se resumiu a passear pelo ringue, sem nem ao menos simular um ataque, o que acabou resultando numa derrota. O bom segundo sempre tem em mente que uma luta só termina com a "gongada" final, bem como sabe como instruir corretamente seu pupilo no sentido de quando e como "administrar" um resultado.

O crítico

Este é aquele segundo que, mesmo que seu pupilo esteja ganhando a luta, se sente na obrigação de se limitar a criticá-lo. Este segundo acha que sua atitude vai dar uma motivação extra para seu lutador, mas o efeito é bem ao contrário.

O gesticulador

Os segundos estão proibidos de dar instruções a seus pupilos durante o desenvolvimento dos rounds (vide Regra IX-5 da AIBA).

Por descontrole, impaciência ou "malandragem", muitos segundos procuram burlar esta regra fazendo sinais para seus pupilos. Isto, além de estar sujeito à uma atitude do árbitro, tende a distrair seu pupilo, o que pode ser aproveitado pelo adversário.

Muitos esquecem, ou não sabem que

Até mesmo em torneios internacionais, temos visto segundos fazendo reclamações infundadas, por esquecerem ou ignorarem que:

  • no boxe olímpico, usa-se luvas com duas cores, sendo que somente socos que atingem o adversário com a parte branca da luva podem contar pontos;
  • além disso, no boxe olímpico, não contam pontos golpes dados com a parte lateral da luva, mão aberta e nem golpes dados sem o peso do corpo (jabs e ganchos), conforme a Regra XVII da AIBA.
  • o gongo soa para avisar o árbitro que ele deve terminar a luta; isso ele faz falando STOP. Somente com esse STOP é que a luta termina.

    referências:
    - Juan F. Quesada: Reflexiones sobre la preparación táctica del boxeador.
      Fac. de Cultura Física de Camaguey, Cuba, 2007.
    - Pedro P. Salgado: El entrenador de boxeo. Snt, Cuba, 2009.


Texto: © 2010, pela Fed. Rio-Grandense de Pugilismo.
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